Corinthians e Vasco empatam sem gols e deixam decisão da Copa do Brasil aberta

Confronto da final da Copa do Brasil termina empatado e deixa a decisão em aberto para o jogo de volta no Maracanã.
Redação Folha Esportiva
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Corinthians e Vasco da Gama empataram por 0 a 0 na noite desta quarta-feira (17), na Neo Química Arena, no jogo de ida da final da Copa do Brasil. O resultado mantém a disputa totalmente aberta para a partida decisiva, marcada para domingo (21), às 18h, no Maracanã, com ingressos esgotados.

Antes do confronto em São Paulo, havia um entendimento claro entre os torcedores vascaínos: o objetivo era sair ileso da Neo Química Arena e levar a decisão para o Rio de Janeiro. Diante do histórico recente do Corinthians em casa, não permitir que o rival abrisse vantagem era visto como missão prioritária. E ela foi cumprida com autoridade.

O Vasco apresentou uma atuação defensiva extremamente sólida e anulou as principais ações ofensivas do Corinthians ao longo dos 90 minutos. O goleiro Léo Jardim praticamente não foi exigido. A única intervenção mais relevante ocorreu em finalização de Yuri Alberto, defendida com os pés, mas o lance acabou invalidado por impedimento.

O controle vascaíno passou, principalmente, pela atuação de alto nível da dupla de volantes Thiago Mendes e Cauan Barros, que protegeu bem a entrada da área, reduziu espaços e empurrou o ataque corintiano para os lados do campo. Sem conseguir infiltrar pelo meio, o Corinthians teve como escape pontual a lateral esquerda, com Matheus Bidu aparecendo de forma esporádica.

Apesar da forte aplicação defensiva, o Vasco não se limitou a se fechar. A equipe soube acelerar a troca de passes quando teve a bola e explorou bem as transições rápidas, especialmente com Rayan e Andrés Gómez. O colombiano foi o jogador mais incisivo da partida, incomodando a defesa adversária durante todo o jogo e sendo escolhido o melhor em campo. Ambos finalizaram três vezes cada.

Foi justamente em uma jogada entre os dois que o Vasco chegou a balançar as redes ainda no primeiro tempo. Rayan recebeu passe de Andrés Gómez e finalizou para o gol, mas estava em posição irregular, e o lance foi anulado. Nos minutos seguintes, o time manteve o embalo e criou outras boas oportunidades, com chute de Philippe Coutinho de fora da área e uma cabeçada perigosa de Puma Rodríguez.

A partir desse momento, o Vasco passou a ser superior no jogo. Em alguns momentos, no entanto, a equipe demonstrou certa ansiedade na hora de definir as jogadas, o que impediu que o domínio se transformasse em vantagem no placar. Um exemplo claro ocorreu aos 31 minutos do primeiro tempo, quando Puma Rodríguez recebeu dentro da área, limpou a marcação, mas hesitou na finalização e permitiu a recuperação da defesa.

Segundo Tempo

No segundo tempo, o cenário se manteve. O Corinthians seguiu com dificuldades para criar, enquanto o Vasco continuou mais organizado e perigoso. Aos 21 minutos, Cauan Barros acertou uma cabeçada que bateu de leve na trave, na melhor chance da etapa final. Hugo Souza, goleiro corintiano, pouco trabalhou durante toda a partida.

Os números refletem a superioridade vascaína: foram 12 finalizações do Vasco contra apenas sete do Corinthians. Mesmo assim, Fernando Diniz manteve sua característica de poucas alterações. As primeiras mudanças só vieram na reta final, com a entrada de Vegetti no lugar de Nuno Moreira e, pouco depois, a saída de Philippe Coutinho, que chegou aos 55 jogos na temporada — o maior número de partidas disputadas em um único ano em toda a sua carreira — para a entrada de Matheus França.

Nos minutos finais, o Corinthians avançou suas linhas e tentou uma pressão derradeira, mas criou pouco. A única finalização foi um chute de Vitinho de fora da área, defendido com segurança por Léo Jardim.

Após sair ileso de Itaquera, o Vasco chega fortalecido para decidir o título em casa. Já o Corinthians deixou a Neo Química Arena sob críticas. Foi, possivelmente, a pior atuação da equipe nesta edição da Copa do Brasil. O time errou na estratégia, na execução e mostrou pouca inspiração individual.

Nem a tensão da final nem o desgaste físico do fim de temporada explicam totalmente o desempenho abaixo do esperado. Depois de boas atuações contra o Cruzeiro nas semifinais, o Corinthians entrou em campo com mudanças que não surtiram o efeito desejado. A entrada de Raniele e Garro era prevista, mas a saída de Maycon surpreendeu. Raniele atuou à frente da defesa, e os laterais ficaram mais presos, participando pouco do jogo ofensivo.

Pela esquerda, Martínez contribuiu pouco com a bola, sobrecarregando Breno Bidon e Rodrigo Garro, ambos em noite apagada. O resultado foi um time com dificuldade para se aproximar da área adversária e apenas três finalizações no primeiro tempo, nenhuma delas no gol.

A melhor chance corintiana na etapa inicial veio em bola parada. Garro cobrou falta na área, a bola sobrou para Memphis, que marcou, mas em posição de impedimento. No intervalo, não houve mudanças. As substituições só vieram cinco minutos após o reinício, com as entradas de André Carrillo e Maycon. Algumas escolhas de Dorival Júnior levantaram questionamentos, especialmente a permanência de Yuri Alberto em campo, apesar de uma atuação muito abaixo do esperado.

O Corinthians mostrou-se espaçado, lento na circulação da bola e com posse pouco produtiva, acumulando erros técnicos que irritaram a torcida. A decisão segue aberta, mas para conquistar o tetracampeonato no Maracanã, o time paulista precisará apresentar um futebol bem diferente do que mostrou na primeira partida da final.

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