Pressionado, Roger Machado é demitido do São Paulo após queda na Copa do Brasil

Treinador deixa o cargo dias após áudio vazado do presidente e encerra passagem marcada por rejeição da torcida e instabilidade
Redação Folha Esportiva
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O São Paulo FC anunciou a demissão do técnico Roger Machado após a eliminação para o Juventude na quinta fase da Copa do Brasil. O Tricolor venceu a ida por 1 a 0 no Morumbi, mas perdeu por 3 a 1 no Alfredo Jaconi e acabou eliminado por 3 a 2 no placar agregado.

Roger deixa o comando do clube com números irregulares em sua primeira passagem pelo São Paulo: foram 17 jogos, com 7 vitórias, 4 empates e 6 derrotas, além de 20 gols marcados e 17 sofridos.

A passagem do treinador foi marcada desde o início por um cenário complicado. Roger chegou após a saída de Hernán Crespo já sob forte rejeição da torcida são paulina, que em grande parte demonstrava resistência ao nome do treinador antes mesmo da estreia. Em diversas entrevistas coletivas, Roger chegou a questionar as críticas recebidas, afirmando que até mesmo em vitórias com bom desempenho a pressão continuava intensa.

A eliminação para o Juventude acabou sendo o ponto final de um ambiente que já vinha desgastado nos bastidores. A situação ganhou ainda mais tensão após o vazamento de um áudio do presidente Harry Massis dias antes da demissão.

Na gravação, o dirigente afirmava que o clube não tinha condições financeiras de trocar de treinador e defendia a permanência de Roger justamente pelo cenário econômico vivido pelo São Paulo.

“Não temos condição de contratar, não temos condição de trocar o técnico. Não temos dinheiro. […] Eu não vou trocar ninguém, não vou pagar mais uma multa. Tô pagando multa de lá trás, tô pagando multa do Dorival Júnior, tô pagando multa do zubeldia que eu não tenho nada com isso, paguei multa do Crespo da primeira passagem, que eu não tenho nada com isso”

No áudio, o presidente também revelou dificuldades financeiras do clube, reclamou do pagamento de multas de antigos treinadores e admitiu que a realidade atual do São Paulo está distante da disputa por títulos.

“Nós não vamos ser campeão e não vamos ser rebaixados. Se chegarmos em 6º lugar e formos pra Libertadores, vai ser ótimo.”

Harry Massis ainda citou o alto custo de técnicos no mercado, usando Dorival Júnior como exemplo.

“Falam em Dorival, eu conversei com o presidente do Corinthians, ele e a comissão custam dois e oitocentos, três milhões por mês. É uma loucura!”

Agora, o São Paulo trabalha contra o tempo para encontrar um substituto. Dorival Júnior é um dos nomes mais bem avaliados internamente, principalmente pela identificação construída após conquistar a inédita Copa do Brasil de 2023 sobre o Flamengo. No entanto, o alto custo salarial é visto como um grande obstáculo para um retorno.

Outro nome monitorado é o de Rogério Ceni. Ídolo histórico do clube como jogador, o atual técnico do Bahia vive momento de pressão após maus resultados recentes, incluindo a eliminação para o Remo na Copa do Brasil.

Enquanto busca um novo treinador, o São Paulo tenta também reorganizar o ambiente interno após dias turbulentos, marcados por eliminação, crise financeira exposta publicamente e aumento da pressão da torcida.

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