De sonho militar à potência do Norte: a trajetória do Gazin Porto Velho no futebol brasileiro

De sonho militar a potência do Norte, a história do Gazin Porto Velho no futebol brasileiro.
Redação Folha Esportiva
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A história do Porto Velho Esporte Clube, hoje Gazin Porto Velho, é recente no calendário do futebol brasileiro, mas intensa o suficiente para colocá-lo como uma das principais forças do esporte rondoniense. A chamada Locomotiva do Norte nasceu do sonho de quem acreditou que era possível construir um clube competitivo em pouco tempo. 

Fundado em 28 de setembro de 2014 por Jeanderson Maranhão, o clube surgiu com o nome Atlético Clube 14 Bis, em homenagem à aeronave criada por Santos Dumont, o Pai da Aviação. A inspiração não foi por acaso: a equipe foi formada majoritariamente por militares da Base Aérea de Porto Velho, mesclados com jogadores profissionais, carregando desde o início valores como organização, hierarquia e comprometimento. 

Após boas campanhas e conquistas no futebol amador, o projeto deu um passo decisivo em 23 de abril de 2018, quando se profissionalizou oficialmente e passou a se chamar Porto Velho Esporte Clube. A partir da profissionalização, o clube passou a mandar seus jogos no Estádio Aluízio Ferreira, em Porto Velho, palco tradicional do futebol rondoniense. 

Foi no “Aluizão” que a Locomotiva construiu grande parte de sua identidade, viveu conquistas estaduais, noites decisivas e fortaleceu a relação com sua torcida. O primeiro grande capítulo da nova fase veio logo no futebol feminino. Ainda em 2018, o Porto Velho disputou o Campeonato Rondoniense Feminino e levantou o troféu ao vencer o Real Ariquemes por 2 a 0 na final. 

No masculino, a estreia profissional aconteceu em 2019, com uma vitória marcante por 4 a 0 sobre o Guajará, e uma campanha que levou o clube até as semifinais do estadual. O ano de 2019 também marcou a estreia nacional do time feminino na Série A2 do Campeonato Brasileiro. Mesmo eliminado pelo Palmeiras após avançar de fase, o desempenho consolidou o Porto Velho no cenário estadual e colocou o clube no mapa do futebol nacional, tanto no masculino quanto no feminino. 

A virada definitiva veio em 2020. Após liderar seu grupo no Campeonato Rondoniense com 18 pontos, a Locomotiva superou o União Cacoalense nos pênaltis na semifinal e venceu novamente o Real Ariquemes na decisão, com 3 a 1 no placar agregado. O título não apenas garantiu o primeiro troféu profissional da história do clube, como também deu início a uma rivalidade marcante e abriu as portas para as primeiras competições nacionais: Série D do Brasileirão, Copa do Brasil e Copa Verde. Em 2021, os desafios nacionais foram maiores. 

O Porto Velho caiu na primeira fase da Copa do Brasil, eliminado pelo Ferroviário-CE, empatou em sua estreia na Série D diante do União Rondonópolis, e chegou às oitavas da Copa Verde. Mesmo assim, mostrou força no cenário local ao conquistar o bicampeonato rondoniense, novamente diante do Real Ariquemes, desta vez nos pênaltis, após empate em 2 a 2 no agregado. Dois anos depois, em 2023, a Locomotiva voltou a acelerar. 

O tricampeonato estadual veio com vitória sobre o Ji-Paraná, por 1 a 0 no placar agregado, além de um marco importante fora das quatro linhas: a estreia nas categorias de base na Copa São Paulo de Futebol Júnior, a tradicional Copinha. Em 2024, o clube apostou forte em estrutura e planejamento. 

O investimento rendeu frutos históricos, como a vitória por 1 a 0 sobre o Remo, que garantiu a classificação inédita à segunda fase da Copa do Brasil. O crescimento de visibilidade atraiu o mercado: o Porto Velho vendeu seus naming rights à Gazin, por cinco anos, passando a se chamar Gazin Porto Velho. 

Naquele ano, o time ainda chegou às oitavas de final da Série D e disputou a Copa Verde, sendo eliminado pelo Cuiabá, sendo a temporada de 2024 considerada a melhor da história pelos torcedores. A consolidação veio em 2025. O clube conquistou o quarto título estadual, superando o Guaporé, avançou mais uma vez na Copa do Brasil ao eliminar o Cuiabá e se despediu diante do Capital-DF. 

Mesmo sem avançar de fase na Série D, a temporada reforçou o Porto Velho como protagonista do futebol rondoniense. ÍDOLOS Apesar do pouco tempo em sua fase profissional, o Porto Velho Esporte Clube já coleciona nomes que marcaram a história recente da Locomotiva. 

Seja pela forte identificação com a torcida, pelo alto número de jogos disputados, pelos gols marcados ou por atuações memoráveis, alguns atletas se tornaram referência dentro e fora de campo. Um dos principais ídolos é o zagueiro Maurício Leal, atualmente o jogador que mais vestiu a camisa do clube em partidas oficiais, com 95 jogos disputados, caminhando para sua sexta temporada defendendo a Locomotiva. 

No setor ofensivo, o destaque histórico é compartilhado: Emerson Bacas e Luan Viana dividem a artilharia máxima da história do Porto Velho, com 21 gols cada. Ao lado de Maurício Leal e Emerson Bacas, os atletas Rennã e Lucas Bala ostentam uma marca histórica: são os únicos jogadores presentes em todas as cinco conquistas estaduais do clube e seguem no elenco para a temporada de 2026. 

Além do quarteto de “pentacampeões”, o goleiro Digão também ocupa lugar especial na memória do torcedor, sendo decisivo nas classificações da Copa do Brasil de 2024 e 2025. ATUAL TEMPORADA Em 2026, o Porto Velho disputará quatro competições: o Campeonato Rondoniense, a Copa Norte (antiga Copa Verde), a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro da Série D. Com o calendário cheio, a Locomotiva vai a todo vapor em busca de consolidar seu nome entre as principais potências do futebol do Norte do Brasil.

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