A utilização de câmeras e transmissões em vídeo diretamente das cabines de imprensa voltou a ser o centro de um intenso debate no futebol brasileiro neste fim de semana. A polêmica começou após relatos de que fiscais da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estariam impedindo equipes de rádio e plataformas digitais de filmar suas próprias reações e o ambiente de trabalho durante os jogos, alegando restrições de direitos de transmissão.
Reação nas redes: “O rádio é soberano”
A polêmica ganhou escala nacional após o narrador Marcelo do Ó (BandNews FM e RedeTV!) publicar um vídeo em seu Instagram manifestando indignação com a possível restrição. No conteúdo, o jornalista ressaltou o valor histórico e a evolução do meio, que hoje utiliza a imagem como ferramenta complementar de engajamento.
“O fato é o seguinte: veio uma ordem aos fiscais da CBF que impediram que rádios tivessem feito isso [imagens da cabine]. Isso se espalhou porque, se é a nova ordem, é a nova ordem”, afirmou o profissional.
O narrador ainda destacou a importância da mobilização da categoria para garantir a continuidade do trabalho:
“Ainda bem que gerou tudo isso, porque mostra que o rádio, as web rádios e o jornalismo independente ainda têm voz. Não vai ser de qualquer jeito que vão tirar o nosso direito de trabalhar, de levar a informação e a emoção que é feita desde 1931.”
Veja o vídeo completo:
O posicionamento oficial da ACEB
Diante do barulho provocado por profissionais de todo o país, a Associação de Cronistas Esportivos do Brasil (ACEB) agiu rapidamente. Após contato direto com a diretoria de comunicação da CBF, a entidade divulgou uma nota oficial para tranquilizar as emissoras e esclarecer que não houve mudança nas regras de acesso.
Segundo a nota da ACEB:
“Seguem autorizadas as utilizações de câmeras ligadas e direcionadas para o interior das cabines de rádio em partidas do futebol brasileiro. (…) Houve um equívoco na interpretação do Manual de Competições 2026, situação que já foi corrigida internamente.”
A associação reforçou que o acordo firmado anteriormente permanece válido, garantindo que os profissionais possam continuar registrando os bastidores e as narrações em vídeo, desde que as câmeras não foquem o gramado ou a partida em si — o que violaria os direitos dos detentores de imagem (TVs e streamings).