O brasileiro Lucas Pinheiro Braathen viveu um domingo histórico ao vencer a etapa da Copa do Mundo de esqui alpino, em Levi, na Finlândia. Aos 25 anos, o atleta brilhou no slalom: liderou a primeira descida, manteve a frieza na segunda e garantiu um título inédito para o país.
A vitória veio acompanhada de uma tradição curiosa: o vencedor recebe uma rena. Lucas batizou o animal de Bjørn, homenagem ao pai, seu maior incentivador na carreira. A rena vai permanecer em uma fazenda local, em Levi. O brasileiro também levou para casa cerca de R$ 300 mil em premiação (47 mil francos suíços).
Na pista, Lucas foi impecável. Fez 54s13 na primeira descida — 0s41 mais rápido que o campeão olímpico e mundial Clément Noel, que novamente não conseguiu superar o brasileiro e terminou em segundo, com diferença final de 0s31 após as duas rodadas. O finlandês Eduard Haalberg completou o pódio, em terceiro (+0s57).

Emocionado, Lucas resumiu o momento como um marco pessoal e coletivo:
“Isso representa quem eu sou. Estou colocando o meu coração. Ser eu mesmo exige sacrifícios, é um caminho duro. Essa vitória é minha, dos meus amigos, da minha família e do Brasil.”
A cena do pódio rendeu ainda mais simbolismo: a rena foi entregue pelo próprio Papai Noel, figura tradicional no evento. Lucas voltou a destacar o pai ao explicar o nome Bjørn — uma forma de agradecer por ter sido ele quem insistiu para que o jovem deixasse o futebol e tentasse a vida no esqui.
A conquista reforça o status do atleta como o principal nome brasileiro rumo aos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, em Milão e Cortina d’Ampezzo, que começam no dia 6 de fevereiro. Lucas disputa tanto o slalom quanto o slalom gigante e é visto como a maior esperança do país para uma medalha inédita.

Filho da paulista Alessandra Pinheiro com um norueguês, Lucas representou a Noruega até 2024, quando anunciou aposentadoria e, pouco depois, decidiu competir pelo Brasil. Na última temporada (2024/2025), subiu ao pódio cinco vezes na Copa do Mundo — três pratas e dois bronzes —, mas ficou fora das medalhas no Mundial, terminando o slalom gigante na 14ª posição. Na abertura da temporada atual (2025/2026), não concluiu a primeira descida do gigante e ficou sem tempo na prova.
A trajetória do atleta mostra evolução constante: em 2019, conquistou prata no Super-G e bronze no combinado no Mundial Júnior; em 2020, venceu pela primeira vez na Copa do Mundo, em Sölden; em 2021, terminou a temporada como vice-líder geral; e em 2022 esteve nos Jogos Olímpicos de Pequim pela Noruega.
Agora, com a bandeira brasileira no peito e um feito histórico na bagagem, Lucas Pinheiro Braathen entra de vez na rota dos grandes nomes do esqui mundial — e reacende o sonho do Brasil de subir ao pódio no gelo pela primeira vez.